Recifes de Porto Seguro

Chegamos domingo passado em Porto Seguro num dia ensolarado, com mar calmo e sem vento. E foi o suficiente para ficarmos empolgadíssimas com os futuros mergulhos por aqui. Mas como nem tudo ocorre como o planejado, segunda e terça-feira foram dias de espera para nós, mergulhadores. O mar estava muito agitado, os dias nublados e bem ventosos, com chuvas esparsas durante os dias. Aproveitamos então para conhecer um pouco dessa cidade tão famosa como destino turístico nacional e quiça mundial.

O dia de hoje amanheceu mais promissor que os anteriores e na metade da manhã já embarcávamos com o pessoal da Aquaplanet em direção à barreira de corais “Recife de Fora”. O mar ainda apresentava fortes ondulações, mas não o suficiente para abortarmos nosso mergulho, apenas para ganharmos mais horinhas de experiência no quesito “balanço do mar X enjôos”.

O Recife de Fora é um Parque Municipal Marinho criado por lei em 1997 e protegido como área de preservação permanente. Localizado a cinco milhas da costa, ocupa uma área de 17,5 quilômetros quadrados e tem profundidade média de seis metros. Apesar de possuir uma grande área recifal, apenas 3% desta é permitida para visitação, o restante é reservado a pesquisas e preservação permanente.

Nosso ponto de mergulho foi o Funil, um ponto bem raso, não ultrapassando 5m de profundidade ao redor dos recifes. A visibilidade da água estava em torno de 4m, e a temperatura 25ºC. Nosso mergulho durou um pouco mais de uma hora, onde foi possível avistar uma grande quantidade de espécies de corais (segundo a literatura, neste Parque são encontrados 16 espécies diferentes). Também foi possível ver os peculiares peixe-morcego e peixe-pedra, além dos já conhecidos peixes recifais como frades, budiões, badejo, cirurgiões e outros.

Também flagramos dois ermitões utilizando conchas vazias de gastrópodes como abrigo – eles usam essas conchas para se protegerem, pois possuem um frágil abdômen devido a falta de calcificação. Vale lembrar a importância de se preservar ambientes tão sensíveis e organismos tão delicados como esses, se valendo de atitudes muito simples como não coletar conchas nem nada que esteja no fundo, além é claro de não comercializar conchas, estrelas-do-mar, corais ou qualquer outra estrutura marinha, que são encontradas em muitas lojas de souvenires. Ressaltando que comercializar artesanato produzido com corais é proibido por lei* e estimula a depredação dos recifes. Nós como amantes da natureza devemos dar o exemplo para minimizar os impactos causados por nossa atividade sobre o ambiente marinho como um todo.

* Art. 33 da Lei Federal no. 9. 605/98 de Crimes Ambientais.


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