A Bela e a Fera na Praia do Forte

Depois de alguns dias de estrada, com direito a uma visita rápida à Aracaju, voltamos ao estado baiano para conhecer as operadoras que não tinham sido visitadas na subida. A primeira parada foi na famosa Praia do Forte. Conhecida por turistas nacionais e internacionais, a Praia do Forte é cheia de opções. A região conta com muitos resorts chiquérrimos e hotéis, mas é possível achar pousadas mais simples e até albergues. Outra opção não tão conhecida e mais barata, é se hospedar na vizinha, Imbassaí. Restaurantes também não faltam por ali e lojinhas charmosas estão espalhadas e tentando os turistas a todo minuto.

Depois de conseguir estacionar nosso carro + carretilha, fomos andando até uma parada ‘obrigatória’ para quem visita a Praia do Forte, a base do Projeto Tamar .Quando estávamos quase chegando, literalmente na porta do Projeto, nos deparamos com pessoas vendendo conchas na rua e ao olharmos com mais atenção, vimos que junto com as conchas haviam cavalos-marinhos desidratados. Ficamos olhando a cena, em choque, quando uma das vendedoras nos convidou daquele jeitinho “pode chegar mais perto, querida, pode ver, tenho conchas e cavalos-marinhos”!!!!!! Não consegui me segurar e acabei falando que aquilo era um absurdo, um crime ambiental. A mulher só faltou rir da nossa cara, e seu vizinho-pescador-vendedor-de-cavalo-marinho se meteu na discussão e gritou “vocês ficam matando gente e vem me dizer que não posso matar cavalo-marinho?????”. Enfim, a gente acabou se afastando antes que apanhássemos ali mesmo. Toda a situação nos pegou tão de surpresa, que desistimos do passeio naquele momento, e fomos tomar uma coca-cola para esfriar a cabeça.

Ali esperamos pelo Troy, o proprietário da operadora Gringos Ecoturismo. Assim que chegou, nos ajudou a achar um lugar para ficar e foi super simpático, nos contando sobre sua operadora e sobre os mergulhos da região. A Gringos Ecoturismo trabalha com batismos nas piscinas naturais da Praia do Forte e de Itacimirim e com alguns pontos bem interessantes para credenciados, além de outros esportes aquáticos e passeios para observação das baleias jubartes.

Depois de conhecer um pouco a região e resolver algumas coisas em Salvador, voltamos para Imbassaí e o Troy gentilmente nos convidou para jantar. Como não perdemos uma oportunidade de conhecer melhor o pessoal do mergulho, dividir nossas experiências e histórias, e aprender sobre as regiões que não conhecemos, aceitamos com prazer. Ficamos horas conversando sobre o nosso projeto, sobre a Praia do Forte, sobre a Gringos e sobre o Brasil na perspectiva de um australiano. Mais do que um conhecido, fizemos mais um amigo nessa viagem, descobrindo que dividimos muito mais do que o amor pelo mar.

Infelizmente, mais uma vez, não conseguimos mergulhar. O vento não ajudou e nosso dia de avistar as baleias e conhecer o fundo do mar dali, ficou para a próxima. O Troy até se dispôs a ir, mas explicou que as condições realmente estavam complicadas, que o mar estava batendo muito e que seria bem desagradável. Como a segurança vem SEMPRE em primeiro lugar, resolvemos deixar mesmo para uma próxima vez.

Antes de irmos embora, porém, fomos conversar com um biólogo do Projeto Tamar sobre a questão dos vendedores de cavalos-marinhos na porta de sua base. Assim que toquei no assunto, ele já ficou na defensiva, dizendo curto e grosso que “O Projeto Tamar é uma instituição de pesquisa e não de fiscalização. Não temos poder de polícia” e ainda absurdos como “Eu nem olho mais, porque se olhar, preciso fazer alguma coisa”. Acho que essa atitude me chocou ainda mais do que a venda dos animais, que apesar de nunca ter presenciado, sabia que existia. Fiquei me perguntando se as pessoas estivessem vendendo cascos de tartaruga, se a atitude seria a mesma. Bom, o assunto é polêmico mas não podia deixar de relatar aqui nossa experiência. Falamos também com o pessoal do Instituto Baleia Jubarte, que também tem cede ali, e uma pessoa da equipe (conhecida da Cacá, por sinal) se comprometeu a fazer uma denúncia e nos manter informadas. Entramos em contato com o pessoal do Projeto Hippocampus também, para saber um pouco mais sobre a situação e o que pode ser feito. Em breve, publicaremos mais a respeito desse assunto.

Apesar dessa situação absurda e dos ventos que nos impediram mais uma vez, valeu a pena conhecer mais uma região cheia de beleza a oferecer, mais uma operadora séria e mais um amigo!

This entry was posted in Animais Marinhos, BA and tagged , , , , , , , . Bookmark the permalink.

Leave a Reply